Se é por falta de dinheiro...

Roberto Mello

A Fazenda Freudiana disp√Ķe de uma cl√≠nica social para atendimento daqueles que procuram ajuda de psicanalistas e alegam que n√£o podem pagar seu pre√ßo. O pre√ßo √© acess√≠vel e pode ser negociado.

Alguns conv√™nios com escolas, faculdades e hospitais est√£o em andamento, dando continuidade ao sonho de Freud, que, no in√≠cio da constru√ß√£o de sua grande obra, pensava em estender os benef√≠cios da psican√°lise aos sujeitos de baixa renda. Freud chegou a dizer que a neurose √© tamb√©m uma quest√£o de sa√ļde p√ļblica, e sugeriu que o Estado criasse meios de financiar o atendimento, tal como ocorre hoje, como uma rotina que ningu√©m mais estranha, na Fran√ßaa e noutros pa√≠ses europeus.

√Č pr√°tica comum das institui√ß√Ķes psicanal√≠ticas reservar um espa√ßo para atender pessoas pobres de dinheiro, n√£o de esp√≠rito. E n√£o √© culpa da psican√°lise o fato de haver se tornado elitista, assim como a matem√°tica, a filosofia, a medicina, o feij√£o e a carne: n√£o est√£o ao alcance de todos. Cabe ao pobre entrar na pol√≠tica para mudar seu suposto destino. Foi isso que fez o presidente. Mas, se houver impedimento de ordem subjetiva, a psican√°lise pode dizer alguma coisa. Dizer, por exemplo, que o Maktub! , o suposto fado na divis√£o social da humanidade em ricos e pobres, pode ao menos ser questionado.

Muitas pessoas se surpreendem quando um amigo, um parente, ou um professor lhes dizem que os problemas por elas vividos podem encontrar solução na psicanálise. Quem, eu? Fazer análise? Isso é muito caro. Reagem diante de um condicionamento: o inacessível de uma prática elitista. Mas, secretamente, sentem-se lisonjeadas: eu, tendo um problema analítico? Isso mesmo, pode ser que elas tenham de fato uma questão que seja analiticamente tratável. Se digo que é muita areia para o meu caminhão, começo a não acreditar tão piamente nessa fatalidade, abrindo imperceptivelmente o caminho do desejo, pois começo a falar. E quando começo a falar, periga acontecer. Palavra é ato.

Os antigos gregos sabiam que a palavra pode ser remédio ou veneno, pode curar ou matar, e nisso eles são confirmados até hoje pela sabedoria popular, que conhece o poder da palavra. Podemos adoecer de uma palavra má, podemos nos curar por uma boa palavra. O povo sabe do poder da palavra, ele inventa línguas, como dizem os poetas. O cineasta Glauber Rocha costumava andar no meio da multidão em plena avenida Rio Branco, no centro do Rio de Janeiro, só para escutar palavras, e foi numa dessas que ele concebeu a idéia do filme Deus e o Diabo na Terra do Sol. Escutar a palavra é o que nos leva ao teatro, no dizer de Lacan.

Hesíodo dizia que os deuses castigavam os homens mandando-lhes doenças silenciosas, mas Freud mostrou que as doenças falam e que, por isso, podem ser curadas.

 

»13/12/17 19:30
Assembléia

»13/12/17 19:30
Oficina de Psican√°lise de Fernanda Almeida

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